A dissertação de mestrado de uma aluna de Bio-Manguinhos ganhou destaque no meio acadêmico por tratar da padronização de metodologia na plataforma de microarranjos líquidos em modelo de sífilis

Periela da Silva Vasconcelos Sousa, aluna do Mestrado Profissional em Tecnologia de Imunobiológicos (MPTI), do Laboratório de Tecnologia Diagnóstica (Lated) de Bio-Manguinhos e vencedora do Prêmio Jovem Talento no II Seminário Anual Científico e Tecnológico em Imunobiológicos (SACT-Bio), defendeu sua dissertação no dia 29 de abril. O trabalho foi intitulado Padronização de uma Metodologia de Ensaio na Plataforma de Microarranjos Líquidos em Modelo de Sífilis.

Sob a orientação de Rosa Teixeira de Pinho, chefe do Laboratório de Imunologia Clínica (IOC/Fiocruz) e Nara Mazarakis Rubim, gerente do Projeto DPP-Sífilis treponêmico e não-treponêmico do Lated, Periela foi aprovada sem restrições por sua banca.

Periela conta que, desde o momento em que conheceu esta técnica, no início do mestrado, achou que seria uma ferramenta importante não só para o aprimoramento de seus conhecimentos, mas que também para a padronização da metodologia aplicada ao imunodiagnóstico de diversas doenças empregado no Lated e por outros profissionais. O trabalho, desempenhado no laboratório, foi feito em um ano e cinco meses.

A metodologia de micrarranjos líquidos baseados em microesferas é uma tecnologia recente (aplicada no final da década de 1990) que apresenta vantagens em relação às outras, como a análise simultânea de analitos de diversas doenças e, logo, uma redução de custo e tempo. Esta tecnologia utiliza o mesmo princípio dos ensaios imunoenzimáticos tradicionais. No entanto, tem a vantagem de detectar simultaneamente diversas proteínas através do uso de microesferas em suspensão as quais funcionam como suporte sólido para a reação antígeno-anticorpo. As microesferas possuem em seu interior quantidades precisas de dois fluorocromos com proporções distintas, permitindo a criação de cem diferentes grupos de microesferas e, assim, a detecção simultânea de até cem reações, detalhou Periela.

A proposta do trabalho é disponibilizar uma Instrução de Trabalho (IT) para os colaboradores de Bio-Manguinhos. O documento deve conter as etapas do processo de adequação à metodologia de ensaio múltiplo de microarranjos líquidos a fim de facilitar a sua utilização para a detecção de outros agentes patogênicos, explicou.

A metodologia de microarranjos líquidos já é utilizada no Lated desde 2010, além de em outros laboratórios da Fiocruz. Não considero esta tecnologia inovadora e sim um modelo de grande importância para todos que desejam utilizá-la. Entretanto, o projeto Microarranjos Líquidos para testes em serviços de hemoterapia desenvolvido no Lated pode ser considerado inovador, visto que não existe nenhum trabalho deste no mercado, destacou Periela quanto ao diferencial de sua pesquisa.

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